Por que Jesus é “um deus” e não Deus?

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Por que Jesus é “um deus” e não Deus? Parte 2

Na bíblia, a palavra hebraica para Deus é Elohim, e traz consigo a ideia de “poderoso”, ou alguém que detém poder sobre algo. No livro de Salmos existem muitas passagens onde os representantes de Deus, anjos ou humanos, são chamados de “deuses”. Isso ocorre porque essas pessoas representam a Deus e atuam como autoridades aprovadas por Deus.

Nós, do grupo A Verdade é Lógica, concordamos com Norman Champlin quanto a essa declaração específica. Com base nisso, façamos uma análise do Salmo 45 para que possamos entender por que Jesus é “um deus”, e não Deus. Usaremos a Nova Versão Internacional (NVI) nesse vídeo.

Veja o que diz a NVI no Salmo 45:1:

“[…] recito os meus versos em honra ao rei […]”

Normam Champlin declara que

Não se pode afirmar com certeza sobre qual rei teria sido feito esse salmo. Alguns eruditos sugerem que o referido rei possa ter sido Salomão, possivelmente Acabe, Jorão, ou até mesmo Jeroboão II. A fim de que haja uma comunicação mais clara, refiramo-nos ao rei desse salmo como sendo Salomão.

Vejamos agora uma passagem bem interessante desse salmo onde Salomão recebe um título bastante curioso.

Salmo 45:6 “O teu trono, ó Deus, subsiste para todo o sempre; cetro de justiça é o cetro do teu reino.” (NVI)

Perceberam como Salomão foi chamado? Ele recebeu o título “Deus”, embora Salomão não seja “um com o Pai” nem faça parte de uma deidade multipessoal. Preste atenção ao que Norman Champlin disse sobre isso.

Muito bem. Até aqui nós percebemos que Salomão foi chamado de “Deus”, e que isso não causava nenhum problema no monoteísmo judaico. Então, é totalmente correto que aleguemos que esse texto chama Salomão de “deus” de um modo ontologicamente separado de Jeová.

Bem, mas o que há de tão curioso nesse texto? A parte boa começa agora. Na carta aos Hebreus, o escritor movido por espírito santo, conforme cremos, faz uma série de aplicações de textos do antigo testamento ao messias. Vejamos algumas:

(Hebreus 1:5) “Tu és meu filho; hoje eu me tornei teu pai”; o escritor de Hebreus aplica ao Cristo o Salmo 2:7, que se referia primariamente a Davi. (TNM)
(Hebreus 1:5) “Eu é que me tornarei seu pai e ele é que se tornará meu filho”; esse texto fora originalmente escrito em referência a Salomão no 2 Samuel 7:14, mas o escritor de Hebreus o aplica a Jesus. (TNM)
(Hebreus 1:6) “E todos os anjos de Deus lhe prestem homenagem.”; essas palavras eram aplicadas a Jeová, no Salmo 97:7, o qual diz: Curvai-vos diante dele, todos os deuses.” (TNM) (Apenas um detalhe, essa é uma prova de que os anjos eram chamados de deuses na bíblia)                                                 
 

Os trinitários certamente não perderiam tempo para alegar que isso prova que Jesus é Jeová. Bem, pelo mesmo raciocínio, isso também provaria que Jesus é Salomão e Davi. Obviamente, ninguém alegaria que Jesus é Salomão e Davi. E na verdade, a citação das passagens das Escrituras Hebraicas pelo escritor de Hebreus indica justamente que Jesus não é aqueles a quem as passagens outrora se referiam. Se tais citações indicam alguma coisa nesse sentido, indicam que Jesus não é Jeová, assim como Jesus não é nem Salomão, nem Davi.

Mas o grande argumento vem agora. Com base nesses dados, podemos francamente admitir que o escritor de Hebreus não teria nenhum problema em aplicar ao Cristo, qualquer passagem das escrituras hebraicas onde Jeová era chamado de Deus, visto que na Trindade Jesus é uma das pessoas que compõem a deidade Jeová.

E o escritor de Hebreus realmente aplica ao Cristo o título “Deus”, seguindo o padrão de citações das escrituras hebraicas. O curioso é que o texto que o escritor cita é o seguinte:

Hebreus 1:8  “Mas a respeito do Filho, diz: O teu trono, ó Deus, subsiste para todo o sempre; cetro de eqüidade é o cetro do teu Reino.” (NVI)

 

Perceberam? O escritor de Hebreus aplica a Jesus um texto do antigo testamento onde outro ser, que não era Jeová, um ser ontologicamente separado de Jeová, era chamado de Deus.

Vemos que o escritor de hebreus tenta apontar algo a respeito da divindade do Messias. Mas o texto que ele seleciona para isso é bastante curioso de uma cosmovisão trinitária. Absolutamente, não é esse o tipo de deidade que esperaríamos da segunda pessoa da trindade.

O argumento final é:

Premissa 1: No Salmo 45:6 o título “Deus” é aplicado ao rei de israel;

Premissa 2: Esse título traz o significado de uma deidade ontologicamente separada e subordinada a Jeová;

Premissa 3: O escritor de Hebreus aplica tal texto ao Cristo;

Logo: O escritor de hebreus diz que Cristo é uma deidade ontologicamente separada e subordinada a Jeová.

 

Uma tentativa de refutação a esse argumento poderia ser de que isso se refere ao Jesus humano. Essa tentativa de refutação, no entanto, contém 3 problemas:

1 – Não faz diferença, pois na crença trinitária, Jesus nunca é um deus separado de Jeová, conforme era Salomão;

2 – Esse texto trata explicitamente de Jesus como deidade, não como humano. Pois o texto diz: “Teu trono, ó Deus…”, não “Teu trono, ó humano…”

3 – Todo o capítulo 1 de Hebreus trata do Jesus glorificado, tanto é verdade, que os trinitários sempre usaram hebreus capítulo 1 para tentar provar que Jesus é Jeová, mas agora que eles percebem que esse capítulo prova justamente o contrário, alguns trinitários hipocritamente alegam que se refere ao Jesus humano (Detalhe, mesmo que fosse, não faria diferença, pois a pessoa estaria alegando que enquanto na terra Jesus era um deus separado de Jeová, não o próprio Jeová).

Certo teólogo desonesto afirmou que é o Jesus humano porque Hebreus 1:6 diz “ao trazer novamente o seu Primogênito à terra habitada”; bem, o próprio texto diz: “novamente”, algumas versões optam por “outra vez”. O que prova que esse é o Jesus celestial.

Portanto, vemos claramente que o Jesus é chamado de “deus” num sentido subordinado e separado do modo como Jeová é Deus. Isso contradiz a doutrina da trindade e mostra por que as testemunhas de Jeová estão certas quanto a divindade secundária de Jesus.

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