Tréplica a Francisco Tourinho – São as TJs politeístas?

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     Esse artigo é uma resposta a Francisco Tourinho sobre esse artigo: http://questoesultimas.blogspot.com.br/2017/08/resposta-pagina-verdade-e-logica.html

     Eu argumentei que todas que as referências do Novo Testamento (NT) a um único Deus (monoteísmo) que aparecem na bíblia são em referência única ao Pai. Qual foi a resposta de Tourinho? Nenhuma. Ele simplesmente enrolou alegando o seguinte:

“Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único [’echad] Senhor.” Moisés bem poderia ter usado a palavra yachid (“um”; “único”), mas o Espírito Santo escolheu não fazê-lo…”

     Além dessa declaração não responder ao argumento que eu fiz, é errada, pois ’echad significa “um”, e não tem nada de pluralidade nisso. E também tal explicação apresenta Deus de forma totalmente cômica, pois nunca nenhum judeu jamais entendeu tais palavras de uma cosmovisão trinitária, e Jesus não apenas nunca corrigiu tal alegação, como também asseverou:

(João 4:22) “Vocês adoram o que não conhecem; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação se origina dos judeus.”

     Assim, Jesus alegou que os judeus, que não são trinitários, conheciam a Deus. Moisés não era trinitário. Isaías não era trinitário. Nenhum judeu era trinitário. Em complemento, Jesus reafirmou que o único Deus verdadeiro é apenas 1 pessoa, não 3.

(João 17:3) “Isto significa vida eterna: que conheçam a ti [o Pai], o único Deus verdadeiro, e àquele que tu enviaste, Jesus Cristo.”

     Esse é o “monoteísmo” bíblico: Somente o Pai como único Deus.

     Jesus disse que o Deus de Deuteronômio 6:4 é o Pai, não uma trindade:

(João 8:54b) “… É o meu Pai quem me glorifica, aquele que vocês dizem ser o seu Deus.”

     Vamos ver se nosso colega Tourinho vai começar a pensar que O Pai é uma pluralidade.

     Tourinho alegou:

“crer na existência de vários deuses e adorar somente um, é henoteísmo.”

     Bem, então Jesus era henoteísta, pois ele disse que “os verdadeiros adoradores adorarão o Pai com espírito e verdade” (João 4:23), mas também não apenas reconheceu a outros como sendo chamados de “deuses”, como também se comparou a tais quando acusado de alegar ser Deus / um deus, dizendo: “Vocês são deuses” (João 10:34)

     Eu não me detenho tanto em termos como “Henoteísmo” ou “Politeísmo” porque isso não importa. Se acreditar em Jesus significa ser “Henoteísta”, que assim seja. (Embora eu não concorde com o modo como Tourinho apresenta a questão) É melhor ser “Henoteísta” com base bíblica do que colocar 2 cabeças a mais em Jeová de própria iniciativa. Por isso eu digo: não importa o termo, o que importa é que ensinamos a verdade.

     Vejamos alguns pontos sobre Henoteísmo. Abaixo você terá a imagem original e o texto em seguida para facilitar a leitura. Esse foi tirado do livro Como Jesus Se Tornou Deus de Bart D. Ehrman:

“Essa é a visão que os estudiosos chamaram de henoteísmo, distinguindo-a da visão que até aqui chamei de monoteísmo. Monoteísmo é a visão de que de fato só existe um Deus. Henoteísmo é a visão de que existem outros deuses, mas existe um só Deus a ser adorado. Os Dez Mandamentos expressam uma visão henoteísta, assim como a maior parte da Bíblia Hebraica. O livro de Isaías, com sua insistência em “eu sou Deus, e não há nenhum outro”, é monoteísta. Representa a visão minoritária na Bíblica Hebraica.”

      Veja que até mesmo um crítico da bíblia alega isso!

     Pela definição de Ehrman, o Henoteísmo é a crença de que existem vários deuses, mas deve-se adorar apenas a Jeová. Um henoteísta acreditaria que Baal existe, mas adoraria a Jeová. Definitivamente, se isso for Henoteísmo, nós não somos henoteístas. Pois não acreditamos que deuses rivais a Jeová existam. Mas aceitamos o fato de que a bíblia aplica o título Elohim a outros seres de forma honrosa e aprovada por Jeová.

     Analisemos o que Stephen L. Harris, em seu livro “Understanding the Bible” (Entendendo a bíblia), na página 492, afirma sobre o Henoteísmo e os Israelitas. Após a imagem segue-se a tradução:

“Embora alguns escritores da Tanakh tais como Isaías, eventualmente criaram um monoteísmo [detalhe, monoteísmo não trinitário] genuíno, nós encontramos traços óbvios de politeísmo na Bíblia Hebraica. Em seus estágios iniciais, a religião israelita não era monoteísta, mas henoteísta. Henoteísmo – fidelidade a um deus enquanto admite a existência de outros […]”

     Assista a esse breve vídeo onde o Hebraísta Carlos Augusto Vailatti também apoia essa ideia:

https://www.youtube.com/watch?v=i5W02JTiRw8&t

      Pelo que percebemos, o Henoteísmo não parece ter a ver com reconhecer o fato de que o termo elohim é aplicado a anjos e juízes, mas com aceitar a existência de deuses das nações pagãs. Diante de tal definição, não somos henoteístas.

Francisco Tourinho argumentou:

“E aqui fica o desafio – MOSTREM-ME, UM DICIONÁRIO SEQUER, DE TEOLOGIA, FILOSOFIA OU ATÉ MESMO DE PORTUGUÊS, QUE DIGA QUE MONOTEÍSMO É O MESMO QUE ACREDITAR EM VÁRIOS DEUSES.”

     Antes disso, a pergunta é outra:

  • Se Jesus disse que o único Deus verdadeiro é o Pai, e isso é MONOTEÍSMO, em qual base Tourinho MUDA isso acrescentando 2 pessoas ao monoteísmo? (João 17:3)

     Ou agora o Pai ser o único Deus verdadeiro não impede Jesus de ser o mesmo Deus verdadeiro também? Se os trinitários acrescentam pessoas ao “único Deus verdadeiro” – o Pai – deveríamos olhar o henoteísmo como algo pior que o trinitarianismo?

     “Acrescentar pessoas à divindade é permitido”, mas entender que existem “deuses” em sentidos diferentes, conforme Jesus ensinou, não é? (João 10:31-36) É interessante deixar claro que nenhum dos escritores bíblicos era trinitário!

     Paulo era henoteísta? 

(1 Coríntios 8:5, 6) “Pois, embora haja os que são chamados deuses, quer no céu, quer na terra, assim como há muitos “deuses” e muitos “senhores”, 6 para nós há realmente um só Deus, o Pai…”

     Note que Paulo indica que ele admite a existência de outros que se chamem deuses, tanto no céu como na Terra. Embora Paulo falasse de ídolos nesse contexto, conforme Tourinho já alegou anteriormente, Paulo enfatiza a existência real de vários que se chamam “deuses” – e que tais deuses de fato existem no céu! Será que ídolos existem no céu ou Paulo se referia a seres angelicais?

     Seja como for, para Paulo o único Deus é o Pai, não a trindade. Aqui Paulo deixa bem claro que ele não era trinitário.

     Isso é o monoteísmo bíblico! Um só Deus, o Pai, não uma trindade.

   

     A pergunta que surge agora é: Por que Paulo não incluiu a trindade como sendo o único Deus? Ou agora “único Deus, o Pai” não significa “único Deus, o Pai”? Os trinitários nos acusam de henoteístas, mas são eles que acrescentam pessoas à declaração explícita: “único Deus, o Pai.”

     Tourinho defende que a bíblia impede a existência de outros seres chamados de deuses. Mas temos que deixar claro que esse único Deus é uma só pessoa – o Pai – não uma Triunidade. (João 17:3; 1 Coríntios 8:5, 6; Gálatas 3:20)

 

Como entender o henoteísmo?

     Conforme já falei, a questão terminológica entre monoteísmo e henoteísmo não faz diferença. E a verdade é que os trinitários deveriam calar a boca quanto a isso, pois todos os escritores bíblicos eram Unitaristas, não Trinitaristas. Nenhum escritor bíblico era trinitarista! Assim, os próprios trinitários admitem que Jesus alterou a visão de monoteísmo Unitário para monoteísmo Trinitário, que é um politeísmo disfarçado. Assim, um trinitário acusar um unitário de henoteísmo é igual a um comunista chamar um cristão de fascista.

      O henoteísmo, conforme muitos o definem, parece muito mais ligado a aceitar as existências de deuses falsos e rivais a Jeová, mas adorar somente a Jeová, do que aceitar que os anjos são chamados de deuses. Não é esse o caso que defendemos. Não defendemos que deuses como Baal existam em realidade, mas defendemos que outros seres, em raros momentos, recebem o título Elohim (deuses) em referência a algo específico.

 

     Moisés foi chamado de “deus” (Êxodo 7:1). Fransico Tourinho, em seus devaneios teológicos, nega isso. (Nenhum judeu jamais negou isso, o Tourinho é meio alienado). Mas se perguntarem para uma Testemunha de Jeová:

– Você acredita que Moisés é um deus?

     Todas as Testemunhas de Jeová dirão: “Não! Mas eu acredito que ele recebeu tal título, que ele foi chamado de ‘deus’ em uma situação específica.

     É nisso que cremos: Jesus não é “deus”, mas ele foi e pode ser chamado assim em algumas situações específicas. Eu não vejo isso como “Henoteísmo”. Mas, conforme falei, os termos não importam.

     Tourinho prossegue:

“… se uma palavra tem dois significados, os dois significados não são sinônimos, por isso eu disse mais acima, que os Jeovistas não entendem sequer português, e querem debater hebraico.”

     Falácia do espantalho: Nós nunca afirmamos que os anjos são deuses no mesmo sentido que Jeová é Deus. Aliás, nós justamente enfatizamos que os anjos são chamados de “deuses”, mas isso é num sentido diferente de como Jeová é Deus.

     Vejamos um exemplo bíblico com a palavra “pai”.

 

Quantos “Pais” existem?

(Mateus 23:9) “Além disso, não chamem a ninguém na terra de seu pai, pois um só é o seu Pai, o celestial.”

     OK, existem quantos “pais”? “Um só”, disse Jesus. Mas Jesus também disse:

(João 8:56) “Abraão, o pai de vocês…”

     Será que Jesus era “Heno-paternalista”, ou “poli-paternalista”? Se Tourinho quiser chamá-lo assim, sinta-se à vontade.

     Qual é o ponto aqui? Antes que Tourinho me acuse de “falácia da ambiguidade”, vou dizer abertamente:

     É óbvio que aqui existem 2 sentidos e 2 intensidades para a palavra PAI. É óbvio que Abraão não é “Pai” no mesmo sentido que Deus é PAI!

     Assim também, ninguém, nem Jesus nem os anjos, são “deus” no sentido que Jeová, o Pai, é Deus – o próprio Jesus disse isso (João 17:3).

     Tourinho prossegue citando obras que nem mesmo ele entende (Será que ele leu o que ele citou?). Citando a obra de Champlin, página 343, ele cola a imagem (pasmem, ele não percebeu que isso contraria o que ele pretendia!):

     Vejam que essa passagem diz justamente o que nós dizemos, não o que Tourinho alega! Sim, “Elohim” às vezes indica anjos, pois é uma referência a anjos. No entanto, Elohim não é um termo alternativo para anjos, assim como “aipim” e “mandioca” são termos intercambiáveis. Então ele cita a referência de Strong, e tenta alegar que ou é um, ou é outro.

 

     No entanto, a referência de Strong não diz que Elohim significa anjos. [E caso algum obra diga isso, é errado. Se alguma obra disser: “Elohim significa anjos”, houve um erro de expressão linguística] A referência Strong meramente mostra que uma das aplicações da palavra Elohim é em referência a anjos. Afinal, o que Tourinho esperava? Se até os tradutores da Septuaginta entendiam que Elohim (deuses) é uma referência a anjos em algumas partes dos salmos, e sendo que todos os judeus entendiam isso nos tempos bíblicos, Tourinho esperava que nada disso constasse na referência de Strong? Vou ser bem lúdico aqui. Veja o pronome de tratamento “Vossa excelência”. Tal expressão é aplicada a prefeitos, embaixadores, e até governadores. Mas “Vossa excelência” não significa nem “prefeito”, nem “governador”, nem “embaixador”, mas é APLICADO a tais, por estes serem autoridades de estado. É exatamente a mesma lógica com a palavra “Elohim” na bíblia. Mas Tourinho insiste teimosamente em dizer que Elohim significa anjos.

   Se Elohim/Theos nem sempre significam “Deus/deus”, fica pior ainda para os Trinitários, pois é só mudar a tradução quando a referência for para Jesus.

(João 1:1) ficaria assim:

“No início era a Palavra, e a Palavra estava com Deus, e a palavra era um anjo.”

     Tourinho não percebe que o que interessa não é a tradução usada no português, e sim qual é o termo usado no original. A palavra que traduz elohim em português não muda o fato de que no hebraico é a mesma: elohim.

     Apenas deixando claro: a palavra que significa anjos em Hebraico não é Elohim, mas mal-awk’. Elohim/Theós é um título que é aplicado a anjos ou seres celestiais, autoridades, deuses falsos, e também a Jeová. Mas Elohim não significa nem “Jeová”, nem “anjos”, nem “autoridades” nem “deuses falsos”. Elohim traz consigo a ideia de “poderoso” e é um título que tem uma aplicação primária exclusiva – a Jeová – e várias aplicações secundárias a outros seres. E isso é reconhecido por uma gama grandiosa de comentaristas bíblicos, incluindo trinitários!

     Pelo que parece, Francisco Tourinho gosta de passar vergonha. Vejam só a asneira que ele falou. (Ele não estava brincando).

“Salmos 45.6 diz “O teu trono, ó Deus, é eterno e perpétuo; o cetro do teu reino é um cetro de eqüidade.” Esse é um Salmo messiânico, que como ele mesmo ressaltou é corretamente interpretado como se referindo a Jesus, não a rei humano, mas ele prefere dizer que o salmista inspirado por Deus se referiu a ele mesmo ou a outro, enquanto o escritor de Hebreus diz que eles estão errados e que ali se referia era ao Messias, isso sim é patético! Ou é Davi, Salomão, ou é Jesus!!! Não pode se referir aos dois, um texto só pode ter um sentido claro e objetivo, não tem como o mesmo texto se referir a duas pessoas…”

     Como isso é possível vindo de alguém que alega ter estudado teologia? Francisco Tourinho, depois dessa você deveria se aposentar como teólogo.

 

“É melhor ficar em silêncio e deixar que todos pensem que você é burro, do que abrir a boca e acabar com a dúvida.” (Autor desconhecido)”

 

     (Honestamente… fiquei abismado com tal alegação!)

 

     Começando a bíblia do zero: Nos salmos, muitas passagens tem uma aplicação primária a uma pessoa que vivia na época e uma aplicação secundária de caráter messiânico. Veja o seguinte salmo:

(Salmo 22:1) “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?”

     Essa frase foi dita por Davi, com referência a si próprio. Davi não estava aplicando tal frase a outrem. Mesmo assim, ela tem um caráter messiânico secundário.

(Eu confesso que não acreditei no que Tourinho disse! Estou rindo por dentro até agora… cara, isso é uma vergonha! Tourinho, vá tomar vergonha na cara! Tourinho, você é um vexame em pessoa para seus mestres!)

     Veja o que Champlin [ídolo de Tourinho] alegou, na página 2198 sobre esse salmo quanto ao termo “deus” ser aplicado ao rei. (Após a imagem está o texto transcrito para facilitar a leitura):

     “Jesus disse ‘Sois deuses’ (ver João 10:34, 35) a certos homens que ocupavam a posição de Deus, em suas respectivas missões. Além disso, o termo Elohim, conforme mencionado acima, não se refere a Deus, no céu, cada vez que é usado. Seja como for, o entusiasmado poeta, ao observar o resplendor do rei, poderia ter exclamado ‘Ele é um deus’, ou então “Ele é como Elohim”, sem se envolver em teologias duvidosas. […]” [Os grifos são meus]

 

     Quanto à alegação de Tourinho de que não existem 2 aplicações a pessoas diferentes nesse salmo, vejamos o que a obra Comentário bíblico Beacon, Volume 3, página 189 diz sobre esse salmo. A imagem é seguida pelo texto transcrito para facilitar a leitura:

 

 

Este é um dos salmos régios com um forte significado messiânico. Ele pode ser interpretado em dois níveis. Primeiramente, há uma aplicação imediata e local para o casamento de um dos reis de Israel, semelhante à descrição em Cantares de Salomão. Mas, existe também uma aplicação mais elevada e universal ao Rei dos reis e sua noiva espiritual, de acordo com o uso que o NT faz dos versículos 6-7 (Hb 1.8-9).

 

     Assim vemos que Francisco Tourinho acha pouco apenas perder um debate. Ele sente a necessidade de inventar histórias que por fim o constrangerão.

     As perguntas que Tourinho não consegue responder são:

  • Por que o escritor de Hebreus aplica a Jesus o salmo 45:6, onde o título Elohim não se refere a Jeová, mas a outro ser, que mesmo não sendo Jeová, é chamado de “deus”?
  • Se Jesus é Jeová (YHVH), por que o escritor de Hebreus não aplicou a Jesus um texto onde Jeová era chamado de Elohim, mas selecionou um texto onde outro ser que não era Jeová, era chamado de Elohim, a fim de fazer aplicação ao Messias?
  • Por que Jesus, sendo chamado de “deus”, não de “humano”, em Hebreus 1:8, tem um Deus acima de si em Hebreus 1:9, no mesmo contexto?
  • Se esse texto se refere ao Jesus humano, por que ele é chamado de “deus” em Hebreus 1:8, e não de “humano”?
  • E se ele é Deus, por que tem um Deus acima de si? (Hebreus 1:9)
  • Pode Deus ter Deus acima de si?
  • Pode Deus chamar alguém de “Meu Deus”? 

     Muitos compartilham a crença trinitária de Tourinho, mas discordam dele na questão de os anjos seres chamados de deuses. Sabemos que Norman Champlin (Na imagem abaixo) discorda. Veja o que o “henoteísta” Champlin disse sobre isso, na página 493 do Volume 5 de sua obra. (O texto transcrito segue a imagem para facilitar a leitura):

  

  

 «…anjos…»  O original hebraico diz «elohim» (deuses), que era um termo Comumente aplicado aos anjos e aos homens, quando aparecem como Representantes de Deus, a julgar aos povos (ver Sal. 82:1,6; comparar com João 10:34 e ss). Assim, em Sal. 1:8 o rei terreno é tratado como se fosse Deus, pois era o chefe da teocracia. O uso do termo «deus» era muito mais amplo entre os hebreus do que se dá entre os cristãos modernos. Os anjos eram chamados «deuses» por serem  agentes especiais  de Deus, e  também porque possuíam qualidades divinas.” [Os grifos em negrito são meus].

      Até mesmo Norman Geisler (na imagem abaixo) admite isso em seu livro Manual Popular de dúvidas, enigmas e contradições da bíblia, na página, ao comentar sobre o Salmo 97:7. (O texto em destaque está abaixo da imagem para facilitar a leitura)

 

 

“Além disso, anjos bons às vezes são chamados de ‘deuses’ (elohim) na Bíblia […]”

 

     Bem, já que nosso colega Tourinho não aceita o que a Bíblia, Champlin e Geisler dizem, talvez ele, como Calvinista (pelo menos até onde pude perceber), aceite o que João Calvino (na imagem abaixo) disse em Commentary on John [Comentário sobre João], página 342 em inglês. A tradução parcial segue abaixo das imagens:

 

 

  

“A citação de Cristo está no Salmo 82: 6, ‘Eu disse: Vocês são deuses e todos vocês são filhos do Altíssimo;’… Cristo aplica isso ao caso em questão, que eles recebem o nome de deuses, [logo, Jesus é nomeado um deus, mas não é Deus] porque são ministros de Deus para governar o mundo. Pelo mesmo motivo, a Escritura chama os anjos de deuses, porque por eles a glória de Deus irradia no mundo…”

     A pergunta que eu faço para Francisco Tourinho, concluindo essa resposta definitiva é:

  • Norman Geisler, Norman Champlin, João Calvino e Jesus Cristo – eram eles henoteístas?

 Se Jesus era henoteísta, então eu também sou.

3 Comentários

  1. Gostaria de tecer algumas observações sobre o henoteísmo.

    Tal palavra que não aparece na Bíblia, mas é empregada em comentários teológicos, provém do grego ἑνός θεός (henos theos), “um deus”, e é definida como a adoração de um único deus enquanto não negando a existência ou a possível existência de outras divindades. Sabe-se que Friedrich Schelling (1775-1854) cunhou a palavra, e Friedrich Welcker (1784-1868) usou-a para descrever o monoteísmo primordial entre gregos antigos.

    Max Müller (1823-1900), filólogo alemão e orientalista, levou o termo a um uso mais amplo em seus estudos eruditos sobre as religiões indianas, particularmente o hinduísmo, cujas escrituras mencionam e elogiam inúmeras deidades como se fossem uma única essência divina unitária.

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