Quem criou Deus?

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     Alguma vez você ouviu ou viu alguém perguntar: “Quem criou Deus?” Richard Dawkins, famoso ateu, fez a seguinte questão: “Quem criou o Criador?” (Richard Dawkins, The God Delusion, New York: Houghton Mifflin, 2006, p.188)

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Tomás de Aquino

 O filósofo e teólogo Tomás de Aquino entendia um princípio básico de causas. Assim como nenhum homem pode ser o pai de si próprio, nenhuma causa pode ser seu próprio efeito. Isto é, todo o efeito possui uma causa anterior a si. Em outras palavras, toda a causa precede e independe de seu efeito em existência.

     Então, se Deus criou tudo (ou é a causa de tudo), qual é a causa que deu origem a Deus? Se tudo que é complexo exige um Projetista, e o Projetista é complexo, quem projetou o Projetista?

    Resultado de imagem para infinite past Veja o seguinte: A vida na terra teve um princípio, ou seja, começou a existir, passou de inexistência para existência. Então, algo causou que a vida viesse a existir. O que causou que a vida viesse a existir? Chamemos hipoteticamente a causa que trouxe a vida à existência de causa “X”. O que causou que “X” viesse à existência? Chamemos a causa para “X” de causa “Y”. Aqui surge outra pergunta: O que causou que “Y” viesse à existência? Chamemos isso de causa “XY2”. Então outra pergunta surge: O que causou que “XY2” viesse à existência? Vamos chamar a causa de “XY2” de “JV”. O que causou “JV” a vir à existência?

     Talvez você já tenha percebido o problema nisso tudo. Com esse pensamento, nós estamos indo para um Infinito Regresso de Causas (IRC). Isto é, nós jamais vamos parar de achar uma causa anterior a resposta dada. “E existe algum problema com isso?” – Talvez você se pergunte. A resposta é: SIM, existe.

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  1.      Por quê? Porque um IRC não é metafisicamente possível. Podemos definir o tempo como Início, Meio e Fim (Presente). Qual causa produz o Fim (Presente)? O Meio. E qual causa produz o Meio? O Início. Assim sendo, o Início produz o Meio, e o Meio, por sua vez, produz o Fim. O problema é que não há início em um IRC. Ou seja, se houve um início não houve um IRC. Portanto, se tivesse havido um IRC, não teria havido início, se não houve início, não houve meio, e se não houve meio, não haveria o fim (Presente). Como sabemos disso? Veja o seguinte: qual é o resultado da conta: Infinito menos 1? A resposta é “infinito”. E quanto é infinito menos um milhão? “Infinito”. Infinito menos 1 trilhão? “Infinito”. Aqui nós vemos que nenhum número pode ser subtraído de infinito com perda. Assim sendo, se um IRC de fato tivesse existido, para chegar ao fim (Presente), deveria haver uma causa que ultrapassou a linha do infinito, e isso é impossível. Assim sendo, visto que se não houve início não teria havido meio e se não houve meio não haveria o fim (Presente), e de fato, há um fim (Presente – Eu garanto para você que eu de fato existo! Se você, por ventura, duvida da própria existência esteja certo de que isso prova que você existe – “Duvido, logo existo!”), então, se há um fim, logo houve um meio, e se houve um meio, então houve um início.

        Para você entender melhor, imagine um efeito dominó. Uma peça derruba a outra. Seria impossível que tais peças estivessem caindo por toda a eternidade, desde sempre. Em

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algum momento, a primeira peça caiu. Mas existe um detalhe sobre essa primeira peça. Ela não pode ter sido derrubada por outra peça, pois assim iríamos para um Infinito Regresso de Causas.

        Assim sendo, a única conclusão lógica possível é: em algum momento, num passado distante de causas, houve uma causa Primária, que tem por própria Natureza, não ser causada por nada, mas ser eterna. Tal causa passou, em algum momento na sua própria eternidade, de um estado não causativo para um estado causativo. Ou seja, tal causa primária sem causa não havia causado nada e então passou a causar algo. Assim sendo:

     O que causou que “X” viesse a existência? Chamemos a causa para “X” de causa “Y”. O que causou que “Y” viesse à existência? Chamemos isso de causa “XY2”. O que causou que “XY2” viesse à existência? Vamos chamar a causa de “XY2” de “JV”. O que causou “JV” a vir à existência? Chamemos de JHVH. O que causou JHVH a vir à existência?

Nada. A auto-existência de JHVH como causa faz parte da própria natureza dessa causa, ou seja, JHVH é a causa primária, não causada, de todas as outras causas.

     Para que você entenda melhor, veja o exemplo dos números. Os números não foram criados em algum momento Imagem relacionadapor Deus. Os números existem por necessidade. O que é existência por necessidade? É quando a existência de uma entidade é a própria natureza dela. Ou seja, algo que existe por necessidade é algo que tem que existir sempre, que não pode não existir. Por exemplo: você consegue imaginar um mundo possível onde o número 2 não exista? Talvez o número 2 tenha uma escrita e pronúncia diferentes de como você conhece, mas a entidade 2 vai existir em qualquer mundo possível. Um mundo onde números não existem é um mundo impossível. Assim sendo, a existência dessa causa primária é como a existência dos números – é necessária.

     Esse argumento geralmente não tem objeção por parte de ateus. A grande maioria dos filósofos concorda com isso. No entanto, os ateus questionarão: “Até concordo com a causa primária, mas por que essa causa teria que ser Deus?”. A resposta é muito interessante.

     Porque há uma característica especial que essa causa primária tem que possuir – tem que ser uma entidade pessoal. Como sabemos disso? Porque visto que essa causa não teve uma causa, ou seja, não teve princípio, mas é eterna, para que tal causa passasse de um estado não-causativo para um estado causativo, a causa primária deve ter decidido fazer isso. Por que se afirma isso? Porque se a causa primária fosse uma entidade impessoal, só poderia haver duas possibilidades lógicas de resultado: Ou a causa primária nunca teria causado um efeito ou a causa primária sempre coexistiu com o efeito.

    Resultado de imagem para light switch Veja a seguinte ilustração: suponhamos que a causa primária seja um interruptor elétrico. Visto que o interruptor elétrico não é uma entidade pessoal, ele não pode simplesmente “Decidir” passar da posição de “OFF” para a posição “ON”. A ideia de que num belo dia o interruptor não inteligente e impessoal simplesmente disse “Sabe que hoje eu vou mudar de posição!” é absurda. O interruptor eterno estaria ou sempre desligado ou sempre ligado, a menos que fosse um interruptor com personalidade, o que é absurdo.

 Imagem relacionada    Se esse Interruptor Alegórico e Eterno esteve por alguma vez desligado e não pôde decidir se auto ligar (pois não é uma entidade pessoal), o efeito de tal causa primária jamais teria vindo à existência, mas permaneceria eternamente em inatividade. Então só nos resta a segunda opção – Poderia o Interruptor eterno estar sempre em atividade? Não. Por que não? Por uma razão simples, se tal interruptor cósmico e alegórico sempre tivesse estado em atividade nós entramos em outro problema: a eternidade do efeito. Em outras palavras, se o interruptor cósmico sempre tivesse estado ativo, o efeito dele sempre teria estado ativo, mas isso implicaria em um efeito infinito, e tal hipótese é absurda. Assim sendo, só resta uma possibilidade racional e razoável: a causa primária é, além de eterna, pessoal – ela decidiu passar de um estado “OFF” para “ON”. A única entidade que se sabe que possui tais atributos é o conceito de Deus.

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