Apologia da Apologia

2
53

Apologia da Apologia

“O escravo não apoia o que vocês fazem!”
“Betel sabe da página de vocês?”
“Vão pregar em vez de fazer o que fazem!”
“Vocês são rebeldes, por isso escondem o rosto!”
“Se fossem Testemunhas de Jeová, não estariam fazendo isso!”
“Debates são coisa do passado!”

Já por algum tempo, o grupo A Verdade é Lógica e outras Testemunhas de Jeová têm feito um trabalho de apologia na internet. Ao passo que muitos apreciam esse trabalho, alguns o veem de modo negativo – e fazem os comentários transcritos acima. Dizem que o nosso trabalho é proibido pelo “escravo fiel e prudente” (Mateus 24:45), e que é um empenho infrutífero. Haverá base para tais acusações? E que dizer de “debates”? São errados? Vejamos.

O que é apologia?

Alguns torcem o nariz até mesmo para o termo “apologia”. Comecemos por aí. Você sabe o que é “apologia”? Vejamos a resposta em alguns textos bíblicos:

O apóstolo Paulo disse: “Homens, irmãos e pais, ouçam agora o que vou lhes dizer em minha defesa.” (Atos 22:1).

A palavra “defesa” no original grego é ἀπολογίας (“apologia”). O que aprendemos disso? Que a palavra “apologia” é bíblica, e significa “defesa” – no caso dos verdadeiros cristãos, defesa da verdade bíblica.

O apostolo Paulo, em Filipenses 1:7, dirigiu-se a cristãos que participaram com ele em “defender […] as boas novas”.

“Defender” traduz o original απολογια (apologia). Aprendemos, assim, que o apóstolo Paulo fazia apologia, ou seja, ele era um apologista (defensor) da verdade. E nós devemos imitar o seu exemplo, conforme a Bíblia nos instrui em 1 Coríntios 11:1.

Além disso, o apóstolo Pedro foi inspirado por Deus a registrar as palavras em 1 Pedro 3:15, onde se diz que os cristãos devem estar “sempre prontos para fazer uma defesa“.

Mais uma vez, “defesa” traduz o original “apologia” (ἀπολογίαν). O que aprendemos? Que todos os cristãos tem a OBRIGAÇÃO de ser apologistas da verdade bíblica.

Que dizem as publicações do escravo fiel e prudente sobre fazermos tal apologia, ou defesa?

O livro Testemunho Cabal (p.88) explica, com base no relato em Atos 13 (neste artigo, nas citações, os destaques são nossos):

Texto da imagem:
“Paulo não se sentiu intimidado por Barjesus. Da mesma forma, não devemos sentir-nos intimidados quando opositores tentam minar a fé daqueles que demonstram interesse na mensagem do Reino. É claro que nossas palavras devem ‘ser sempre com graça, temperadas com sal’. (Col. 4:6) Por outro lado, não queremos prejudicar o progresso espiritual de uma pessoa interessada apenas para evitar conflito com opositores. Também não devemos permitir que o medo nos impeça de desmascarar a religião falsa, que ainda persiste em “torcer os caminhos direitos de Jeová” assim como Barjesus fez. (Atos 13:10) Como Paulo, declaremos com coragem a verdade, esforçando-nos para tocar o coração dos sinceros. E, mesmo que o apoio de Deus não pareça tão evidente como foi no caso de Paulo, podemos ter certeza de que Jeová usará seu espírito santo para atrair à verdade os merecedores. — João 6:44.”

Veja também uma citação de A Sentinela (w72 256), explicando magistralmente Provérbios 26:5:

O texto da imagem diz:
“Se não responder à tolice do tolo e deixar que passe sem refutação ou contestação, o tolo certamente se tornará sábio no seu próprio conceito. Para impedir isso, deve responder ao estúpido segundo a sua tolice no sentido de responder à base de suas afirmações tolas, analisando-as, expondo-as como ridículas, absurdas e não merecendo aceitação, quando encaradas racionalmente. Assim poderá mostrar que os próprios argumentos e princípios falsos do estúpido levam a conclusões bem diferentes daquelas que afirma. A própria tolice dele pode ser usada contra ele, se a sua tolice for usada sabiamente, analisada e utilizada contra o argumento falso do tolo. Deste modo, ‘responderá ao estúpido segundo a sua tolice’ e impedirá que ele “se torne alguém sábio aos seus próprios olhos”.

Considere também as seguintes citações (lembrando que, biblicamente, “defesa” é o mesmo que “apologia”):

“Vez após vez Jesus demonstrou coragem em defender a verdade”
(cf cap. 4 p. 38 par. 11)
“O amor nos motiva a defender a verdade”
(cl cap. 30 p. 303 par. 10)
“Assim como Paulo, nós defendemos a verdade com coragem diante de oposição”
(bt cap. 11 p. 88)
“Visto que usam constantemente a Palavra de Deus, os pioneiros com freqüência tornam-se bem aptos em usar as Escrituras para defender a verdade”
(km 8/03 p. 8 par. 3)
“Os cristãos verdadeiros não hesitam em defender a verdade”
(ip-2 cap. 20 p. 298 par. 15)
“O espírito ajudaria os discípulos de Jesus a defender a verdade publicamente”
(w00 15/10 p. 22 )
“Quão fervorosamente deveríamos querer expressar nossa gratidão por defender a verdade no meio deste mundo ímpio! De fato, ‘a Palavra de Deus é a verdade’!”
(w86 1/4 p. 15 par. 20)
“Imitando o apóstolo João, os genuínos crentes precisam continuar a defender a verdade e a expor o erro religioso”
(w79 15/4 p. 26 )
“Quando se ergue no próprio nome pessoal de Deus e defende a verdade contra o erro, por que isso alegra o coração de Jeová?”
“Prova que somos como Jesus, no sentido de que amamos a justiça e odiamos o que é contra a lei. — Heb. 1:9; Pro. 27:11”
(g76 8/3 pp. 25-26)
“A fim de sobrevivermos ao fim deste iníquo sistema e entrarmos na nova ordem de Deus, precisamos conhecer e defender a verdade a respeito de Deus“
(w70 1/7 p. 391)
“Estêvão nos deu um excelente exemplo de como “fazer uma defesa” das boas novas. (1 Ped. 3:15)”
(bt cap. 6 p. 48 par. 10)
“Quando falamos a outros sobre o Reino de Deus, fatos vitais ficam gravados na nossa mente e no nosso coração, e aumentamos em perícia na defesa da verdade. (1 Pedro 3:15)”
(w84 1/6 pp. 20-21 par. 19)
“[Jesus] Era destemido na defesa da verdade, e por isso não se refreou de expor a hipocrisia religiosa. — João 2:13-17; Marcos 7:1-13”
(hp cap. 16 p. 153 par. 8)
“A Sentinela e Despertai! Defendem a Verdade”
(w87 1/3 p. 14)
“Esta revista [A Sentinela] nunca deixará, por temor, de defender a verdade! — Isaías 43:9, 10”
(w87 1/3 p. 13 par. 12)

Vemos assim que a defesa (ou apologia) da verdade é uma obra excelente e oportuna. “Excelente” porque é incentivada na Palavra de Deus e em nossas publicações. “Oportuna” porque opositores tentam arruinar a fé dos irmãos e estudantes, até mesmo se gabando de haver deixado alguns deles sem resposta. Veja, por exemplo, nesse link (clique aqui) como um sujeito gaba-se sadicamente de ter feito uma irmãzinha nossa chorar. Observe o orgulho e o prazer com que ele descreve a ocasião em que humilhou nossa irmã Ester. Imagine que tal irmã fosse sua mãe, prezado leitor. Não concorda que foi necessário “calar a boca” desse indivíduo?

“É preciso calar a boca deles, porque esses homens persistem em arruinar famílias inteiras, ensinando coisas que não devem, visando ganho desonesto” (Tito 1:11).

“Mas”, alguém dirá, “as citações feitas anteriormente não falam de apologia (defesa) ONLINE. Não é verdade que o escravo desincentiva a apologia VIA INTERNET?” Vejamos, então, o que o escravo de fato já disse sobre isso.

O escravo proíbe a apologia na internet?

Analisemos algumas citações:

km setembro de 2007:

“”O escravo fiel e discreto” não apoia quaisquer publicações, reuniões ou páginas na internet que não sejam produzidas ou organizadas sob a supervisão dele. — Mat. 24:45-47.”

É claro que o escravo fiel e prudente não pode apoiar algo sobre o que não tem supervisão, justamente por ser prudente; seria imprudência da parte dele apoiar iniciativas não oficiais. Irmãos despreparados poderiam prejudicar a causa das boas novas por apresentar defesas mal feitas num meio público como é a internet. Até mesmo apóstatas poderiam criar páginas fingindo ser Testemunhas de Jeová, para sutilmente infiltrar suas ideias corrompedoras. O escravo amorosamente se preocupa com tais riscos, e nós apoiamos inteiramente tais alertas.

Mas note que “não apoiar” não é o mesmo que “proibir“. Para ilustrar o que significa “não apoiar”, observe, por exemplo, o que disse a Despertai de 22 de novembro de 2004, num artigo sobre a Aids e o HIV:

“Despertai não apoia nenhum tratamento específico”.

Percebeu? “Não apoia”. Significa isso que alguém, portador do vírus HIV, que se torne testemunha de Jeová, está PROIBIDO pelo escravo de fazer qualquer tratamento?! Obviamente, “não apoiar” não é o mesmo que “proibir”.

km setembro de 2002:

“Web sites (páginas) da Internet: Temos uma página oficial na Internet: www.watchtower.org [hoje, jw.org]. Essa página cumpre bem o papel de informar o público. Não existe necessidade de que alguma pessoa, comissão ou congregação prepare outro site a respeito das Testemunhas de Jeová.”

Sim, concordamos plenamente que o site oficial cumpre magnificamente bem o seu papel. As páginas apologéticas cumprem um papel apenas secundário, e sob nenhuma hipótese têm por objetivo substituir o site oficial.

Percebeu a expressão usada? “Não haver necessidade” não é o mesmo que “ser proibido“. Por exemplo, o km de maio de 1994 disse sobre nosso ministério:

não há necessidade de se sentir obrigado a mudar com frequência suas apresentações”.

Significa isso que os irmãos estão PROIBIDOS de mudar suas apresentações? Evidentemente, pois, “não haver necessidade” não é o mesmo que “estar proibido”.

O km de novembro de 1999 nos aconselha a usar de discernimento e enumera os perigos envolvidos em se acessar sites não oficiais, incluindo o risco de alguns pertencerem a apóstatas. O escravo mais uma vez evidencia sua prudência e amor pelos irmãos ao dar tais alertas. Como já dissemos, apoiamos totalmente tais avisos sábios (muitíssimo sábios, aliás). Mas, novamente, ao dar tais alertas, o escravo não diz que sites não oficiais são proibidos.

km julho de 2015:

“Os publicadores não devem usar a internet para procurar pessoas de outros países com o objetivo de pregar as boas novas a elas.”

Claramente esse conselho (extraordinariamente sábio, diga-se de passagem) fala apenas de usar a Internet para pregar a pessoas DE OUTROS PAÍSES. Absolutamente nada se diz nele sobre pregar pela internet a pessoas do nosso país. Se um pai diz a um filho: “Você não deve mais beber refrigerante durante a semana“, está implícito que, aos finais de semana, é permitido. Assim, se a citação diz que os publicadores não devem usar a internet para pregar a pessoas de outros países, está implícito que a pessoas do mesmo país é permitido.

Portanto, concluir dos conselhos acima que as Testemunhas de Jeová são proibidas de criar sites ou páginas não oficiais é ir além do que é realmente dito.

Mas que dizer de debates, que muitos dizem não serem apropriados?

Que dizer dos debates?

Não são poucos os irmãos que veem os debates como algo errado. É impróprio debater? A resposta correta é: “depende”. Como assim? Vejamos.

Todos concordamos que o senhor Jesus Cristo é nosso modelo e exemplo perfeito, conforme 1 Pedro 2:21. Jesus debatia? Encontrará a resposta nas seguintes citações:

“Conheça bem a Bíblia. Ao resistir a ataques diretos de Satanás contra a sua fé, Jesus citou as Escrituras. (Luc. 4:1-13) Ao debater com seus opositores religiosos, ele usou a Palavra de Deus como autoridade. (Mat. 15:3-6)” – w11 15/3 p. 11 par. 20.
“Os escribas não se saíram melhor. Depois do debate de um deles com Jesus, “ninguém tinha mais coragem de interrogá-lo. — Marcos 12:28-34.” – w94 15/10 p. 19 par. 12.
“As informações na Míxena ajudam a entender algumas declarações nas Escrituras Gregas Cristãs e certos debates entre Jesus Cristo e os fariseus.” – w97 15/11 p. 28 .
“Os líderes religiosos hipócritas mostravam que se opunham realmente à soberania e à vontade de Deus. (Mt 23:13, 27, 28; Lu 11:53, 54; Jo 19:12-16) Jesus os derrotou cabalmente numa série de debates verbais. Brandiu a “espada do espírito”, a Palavra de Deus, com força, perfeito controle e estratégia — demolindo os argumentos sutis e as perguntas capciosas que seus opositores apresentavam, colocando-os ‘num beco sem saída’ ou num ‘dilema’. (Mt 21:23-27; 22:15-46) Ele destemidamente expôs o que eles realmente eram: instrutores de tradições e formalismos humanos, guias cegos, uma geração de víboras, e filhos do Adversário de Deus, o príncipe dos demônios e mentiroso assassino. — Mt 15:12-14; 21:33-41, 45, 46; 23:33-35; Mr 7:1-13; Jo 8:40-45.” – it-2 p. 551.
“Embora fossem repetidas vezes derrotados nos seus anteriores debates com Jesus, seus opositores religiosos tentaram novamente embaraçá-lo por lhe fazerem perguntas capciosas sobre o pagamento do impopular imposto romano, sobre a ressurreição e sobre qual era o maior mandamento. As respostas sábias e bíblicas dele os silenciaram.” – w82 1/7 pp. 26-27.

Se o próprio Jesus Cristo debatia, como se vê nas citações acima, poderá algum cristão condenar os debates? Condená-los seria o mesmo que reprovar o Senhor Jesus Cristo.

Além de Jesus, muitos servos fiéis de Jeová também debatiam:

Paulo:

Atos 9:29 “Ele [Paulo] falava e discutia com os judeus de língua grega”.
A Almeida século 21 traduz assim:
“[Paulo] Falava e debatia também com os judeus de cultura grega”.

Estevão:

“O que os levou a atacar Estêvão? Os judeus, incluindo alguns da Cilícia, não conseguiram vencê-lo num debate. Não sabemos se Saulo, também ciliciano, participou do debate.” – w99 15/6 p. 29.

Apolo:

“Apolo certamente tinha habilidades naturais e foi corajoso em manter um debate público com os judeus. Mais importante, porém, argumentava à base das Escrituras.” – w96 1/10 p. 21.

Jó:

O livro de Jó é ímpar no sentido de que consiste principalmente em um debate entre um verdadeiro servo de Jeová Deus e três outros que afirmavam servir a Deus, mas que cometeram erros doutrinais na sua tentativa de corrigir Jó.” – it-2 p. 562.

Assim, vemos inequivocamente que servos fieis de Jeová debatiam, incluindo o próprio Jesus! Obviamente que, em sua sabedoria, ele tomava certos cuidados:

“Quando questionado pelos seus opositores religiosos, Jesus não se empenhou em debates para mostrar quem sabia mais, embora pudesse tê-los superado facilmente em uma competição assim. Antes, deixou que a Palavra de Deus os refutasse.” – w02 15/8 p. 11 par. 9.

Sim, debates com tal motivação seriam impróprios.

“Costuma ser melhor não fazer caso dos críticos, seguindo o exemplo de Jesus, que não foi em busca daqueles que criticaram a ele e sua mensagem, a fim de debater ou discutir com eles.” – km 7/77 p. 4.

Tampouco deveriam os cristãos hoje ir em busca de discussões, ou provocá-las.

Alguns citarão textos que falam de modo negativo sobre debates, como 1 Timóteo 2:8 e 2 Timóteo 2:23. Consideremos um por um:

1 Timóteo 2:8 – “Desejo, portanto, que em todo lugar os homens persistam em orar, erguendo mãos leais, sem ira e sem debates”.

Esse texto fala especificamente de debates irados, especialmente entre anciãos congregacionais. Veja a explicação no Perspicaz e na Sentinela:

Discussões iradas devem ser afastadas da congregação. Os homens que representam a congregação em oração devem estar isentos de sentimentos de ira e de má vontade. (1Ti 2:8).” – it-2 p. 419.
“O apóstolo Paulo exortou a se confiar em Jeová Deus, com oração, ao escrever: “Desejo . . . que em todo lugar os homens façam orações, erguendo mãos leais, sem furor e sem debates.” (1 Timóteo 2:8) Por exemplo, quão importante é que os anciãos confiem em Deus com oração! Tal demonstração de lealdade a Jeová quando se reúnem para considerar assuntos congregacionais ajudar-lhes-á a prevenir infindáveis debates e possíveis acessos de ira.” – w92 15/11 p. 23 par. 20.

Agora o outro texto:

2 Timóteo 2:23 – “Além disso, rejeite debates tolos e sem sentido, pois você sabe que eles geram brigas.”

Esse texto fala de debates com apóstatas, como explica A Sentinela:

“(Leia 2 Timóteo 2:14, 16, 23.) Alguns na congregação estavam promovendo ensinos apóstatas. Também parece que outros cristãos estavam introduzindo ideias que causavam controvérsias. Mesmo que essas ideias não fossem necessariamente antibíblicas, elas causavam divisão. Geravam discussões e brigas e criavam um ambiente espiritualmente prejudicial. Por isso, Paulo enfatizou a necessidade de recusar debates sobre “questões tolas e ignorantes”.
Hoje, não é comum o povo de Jeová enfrentar apostasia dentro da congregação. Ainda assim, quando nos deparamos com algum ensino antibíblico, devemos rejeitá-lo firmemente, não importa de onde venha. Não seria sábio se envolver em debates com apóstatas, quer pessoalmente, quer por meio da internet ou qualquer meio de comunicação. Mesmo que a intenção seja ajudar a pessoa, esse contato seria contrário à orientação bíblica que acabamos de considerar. Antes, como povo de Jeová, evitamos completamente, sim, rejeitamos, a apostasia.” – w14 15/7 p. 14 pars. 9-10.

Com base nisso, o escravo dá excelentes conselhos sobre debates:

“Isto tem levado a chamados debates eletrônicos sobre assuntos religiosos. O cristão poderia ficar envolvido em tais debates e gastar muitas horas com um pensador apóstata, que talvez tenha sido desassociado da congregação.“ – w93 1/8 p. 17 par. 10.
“No nosso empenho de contatar os sinceros com as boas novas do Reino, devemos ter cuidado para não nos envolver em debates e discussões com zombadores.” – w01 15/5 p. 29.
“Também nos tempos modernos, as testemunhas de Jeová fazem zelosamente soar “estas boas novas” do reino estabelecido de Deus, mas sem se empenharem em gritaria ou em debates irados com os empedernidos opositores na cristandade.” – w70 1/4 p. 213 par. 22.
“Ocasionalmente, logo fora de nossos locais de assembléia, apóstatas e outros opostos ao nosso trabalho distribuem literatura ou se esforçam a envolver-nos em palestras. Como devemos lidar com tais? Não devemos empenhar-nos em debates verbais com opositores da verdade, visto que o cristão “precisa ser meigo para com todos, . . . restringindo-se sob o mal”. (2 Tim. 2:24) Alguns destes talvez tenham sido desassociados no passado.” – km 6/81 p. 4.
A Sentinela (w77 1/7 p.413) ainda nos aletou contra “discussões” e contra ‘gastar muito tempo‘ com refutações, a ponto de diminuir nossa participação no obra de procurar os merecedores.

Obedecendo a esses sábios conselhos do escravo, os apologistas cristãos fiéis jamais se envolvem em debates com apóstatas e desassociados, nem em discussões com ira e gritaria. Também limitamos o tempo gasto em refutações, para continuar tendo uma participação plena na obra de ajudar os sinceros.

Contudo, não é verdade que A Sentinela (w71 ½ p.96) afirmou:

“a Sociedade Torre de Vigia não aceita agora o debate como meio da pregação das boas novas do Reino”?

É verdade, mas analise o contexto. De que tipo de “debate” se falava ali? Se ler o artigo inteiro verá que ali se fala de debates públicos que “desconsideram […] a razão e a lógica”. Mencionam-se “debates emocionais” e “altercações” com “rixas” e “emocionalismo”. Ora, o artigo até mesmo sugere -sim, incentiva- que uma pessoa interessada convide à sua casa, na mesma noite, ministros de religiões diferentes, e faça a eles perguntas, resultando em uma “palestra”. Não seria isso também um tipo de “debate”?

Voltando à pergunta feita:

são impróprios os debates?

Resposta: depende. Sim, depende do tipo de debate. Como vimos, debates em que há altercação e gritaria, debates com apóstatas e desassociados, debates cuja motivação é apenas mostrar quem sabe mais – esse tipo de debate é errado para os verdadeiros cristãos. Por outro lado, debates que visam esclarecer a verdade são corretos e apropriados. Até Jesus os fazia!

Além de ter debatido em várias ocasiões, Cristo também disse algo que não pode jamais ser despercebido. O quê?

Um relato esclarecedor – analise os frutos

Medite no relato em Mateus 12:9-14. Lemos ali que alguns judeus desaprovaram o Senhor Jesus Cristo por fazer uma boa obra no sábado. Perguntaram-lhe: “É permitido curar no sábado?”. Estavam se concentrando, não na ação em si (um homem seria ajudado), mas nas CIRCUNSTÂNCIAS em que Jesus realizaria tal ação. O relato paralelo em Marcos 3:1-6 nos informa de que Jesus ficou ‘indignado e profundamente triste com a insensibilidade do coração deles’. Daí o Mestre lhes respondeu: “É permitido fazer algo bom no sábado.” Podemos aplicar o mesmo princípio ao assunto em consideração, e afirmar: é permitido fazer algo bom na internet. Mas será que a apologia na internet realmente é “algo bom“, que ajuda pessoas? Veja por si mesmo o que alguns disseram:

 Notou? Esses são apenas alguns dentre inúmeros depoimentos que recebemos. Por meio de páginas apologéticas, muitos foram ajudados a aprender a verdade. Outros que estavam afastados ou desassociados decidiram voltar. Ainda outros foram salvos da apostasia! Sim, eles estavam com dúvidas quanto à verdade, mas foram salvos, conforme diz a Bíblia:

“Continuem a mostrar misericórdia a alguns que têm dúvidas; salvem a eles, arrancando-os do fogo” (Judas 22, 23).

Imagine isto acontecendo com com um querido familiar seu: de repente ele perde a alegria de servir a Jeová, começa a perder reuniões e não ir mais ao ministério de campo. E um dia você descobre que o motivo foi que ele viu, por acaso, matéria apóstata na internet, e não tem mais certeza de estar na verdade. Então, você se dá conta de que aconteceu com ele a triste realidade expressa na Bíblia:

“Com a boca o apóstata arruína seu próximo” (Provérbios 11:9).

Consegue imaginar a sua tristeza, prezado irmão, se isso acontecesse com seus pais, com seu cônjuge, com seus filhos, ou outros familiares? Mas acontece que a pessoa, já pensando em abandonar a Jeová, um belo dia se depara com os sites apologéticos de Testemunhas de Jeová. Ali ele vê refutadas todas as dúvidas que perversos apóstatas plantaram em sua mente. E agora ele tem ainda mais certeza de estar com a verdade, e volta a servir a Jeová com zelo e alegria. Diga sinceramente, do fundo do seu coração: não é isso “algo bom”? Essa situação descrita não é meramente hipotética; realmente aconteceu com MUITOS. Acreditamos que se isso viesse a acontecer com um familiar daqueles que criticam a apologia na internet, eles certamente reconheceriam a importância do nosso trabalho. Se a apologia na internet não existisse, muitos irmãos ainda estariam na apostasia; ovelhinhas de Jeová devoradas por lobos; vidas preciosas perdidas para sempre! Você, querido irmão, realmente crê que seria melhor assim? Leia novamente os depoimentos acima, consegue dizer, com sinceridade, que não são bons frutos? Nosso Amo nos ensinou que uma árvore ruim não pode dar fruto bom, e que, se o fruto é bom, a árvore é boa – Mateus 7:17, 18.

Mas, e se a sua consciência o incomoda ao visitar sites apologéticos? Nós respeitamos isso. Você tem toda a razão em evitá-los. Concordamos que, se incomoda a sua consciência, você não deve visitá-los. Mas, antes de falar mal dos irmãos que fazem apologia na internet, lembre-se de que nenhum princípio bíblico foi por eles violado. Lembre-se também de quantas vidas já foram e ainda serão salvas por esse trabalho. Tenha em mente Romanos 14:3:

“Quem come não menospreze aquele que não come, e quem não come não julgue aquele que come” (veja também os versículos 1, 6, 12 e 14 do mesmo capítulo).

Palavras finais

Por fim, gostaríamos de destacar o quanto prezamos, amamos e respeitamos profundamente nossos queridos irmãos do Corpo Governante (que formam o escravo fiel e prudente). Jamais sequer passou pela nossa mente fazer o papel deles – não temos capacidade, nem fomos designados para isso. Os irmãos do Corpo Governante são todos verdadeiros eruditos, com habilidade e conhecimento muito superiores aos nossos. Com certeza, eles poderiam fazer o trabalho que fazemos muito melhor do que nós. Por que não o fazem? Porque prudentemente se concentram naquilo que Jesus os designou para fazer: dar aos irmãos o alimento espiritual no tempo apropriado, e é isso que eles fazem maravilhosamente bem. A função dos apologistas cristãos na internet não é, nunca foi e nunca será dar alimento espiritual, como o canal oficial que Jeová usa. Não produzimos alimento espiritual, nesse sentido, quando muito somos meros “talheres” – apenas direcionamos a atenção para certos aspectos do alimento espiritual que a muitos passam despercebidos. Todas as nossas defesas se baseiam nas explicações dadas pelo escravo, e não dizemos nada em desarmonia com elas. (Por exemplo, às vezes alguns irmãos questionam certos argumentos que usamos; mal sabem eles, talvez por falta de estudo pessoal, que tiramos tais argumentos do Perspicaz e de outras publicações providas pelo escravo.)

Reiteramos que somos submissos aos que exercem liderança entre nós, e que, se o escravo proibisse terminantemente, por meio de um decreto, a apologia na internet, pararíamos de fazê-la. (Hebreus 13:17; Atos 16:4) Somos inteiramente leais a Jeová, a Seu filho Jesus, e a esta Organização, por meio da qual viemos a conhecer a Jeová e Seus maravilhosos propósitos. Nosso objetivo é defendê-los, com todas as nossas forças e o melhor que pudermos, até o fim.♦

2 Comentários

Deixe uma resposta

Escreva seu comentário
Por favor, entre com seu nome aqui