Por que Jesus e não Yeshua? (A letra J)

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Por que Jesus e não Yeshua?

     É comum ouvirmos argumentos como:

       “A letra J não existia em hebraico, portanto ‘Jeová’ não é a pronúncia correta”.

     Também muitos dizem:

       “A pronúncia certa é ‘Yeshua’, não ‘Jesus'”.

        Teólogos sofisticados não usam esse argumento, pois é bastante tosco. Geralmente é o opositor mediano, que leu artigos de amadores na internet, que faz uso de tais alegações.

O uso do J nas línguas latinas

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Pedro de la Ramée

       A letra J foi originalmente uma versão alternativa à letra I (i). E tal diferença ficou mais clara a partir da Idade Média. Pedro de la Ramée (1515 – 1572) foi o primeiro a distinguir abertamente as letras I e J como representando sons diferentes.

         No início, tais letras representavam /i/, /iː/, e /j/; mas as línguas românicas desenvolveram novos sons que passaram a ser representados pela utilização do I e o J, daí a atual distinção na pronúncia destas duas letras.

         Assim, a letra J é na verdade o resultado natural das mudanças da língua, que é viva. Dessa forma, as transformações que naturalmente ocorrem na língua transformaram a letra I em J – não há nada de errado nisso.

         A letra J tem várias pronúncias, inclusive a pronúncia de Y. Veja algumas:

 

  • Português, Romeno e Francês:

    Som: / ʒ /

    Exemplo: “João”, “Jarro”;

  • Norueguês, Islandês, Neerlandês, Dinamarquês , Finlandês, Alemão, Sueco:

    Som: / i /

    Exemplo: “Johannes”;

  • Inglês:

    Som: / dʒ /

    Exemplo: “James”, “Diego”, “Diadema”;

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Aristóteles

       Assim sendo, a letra J é o resultado do curso natural da língua. O que realmente importa numa língua é o significado e significante. Ou seja, é aquilo que te vem em mente ao mencionar um nome. Exemplo: Se eu falasse: “Ἀριστοτέλης” a um americano, ele não saberia quem é. Assim também, se eu falasse “Aristóteles” a um americano, ele também não saberia. Mas se eu falar “Aristotle” [pronuncia-se /ˈærɪˌstɒtəl/], então ele saberá que estou me referindo a um filósofo grego, aluno de Platão e professor de Alexandre, o Grande.

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Curso de Linguística Geral de Ferdinand de Saussure

       O que muitos “apologistas da cristandade” não entendem é que a língua é um bem social. (Para mais informações, sugiro a leitura de Curso de Linguística Geral de Ferdinand de Saussure – linguista e filósofo suíço).

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Ilustração de Moisés

       Portanto, a língua deve ter significado entre pessoas. Veja, por exemplo, a pergunta: Quem foi “Moisés”? Se ao mencionar tal nome você teve em mente uma referência ao personagem histórico que foi um líder religioso, legislador e profeta, a quem a autoria da Torá é tradicionalmente atribuída, então esse nome é exato, pois houve significado entre locutor e ouvinte. Mas se eu te perguntasse: “O que você pensa de Moshe?” Você me perguntaria: “É de comer puro ou passar no pão?” Nesse último caso, não há uma relação entre locutor e ouvinte, tornando assim a linguagem inapropriada.

       Da mesma forma, “Jeová” é uma referência em português ao Deus dos hebreus. “Jesus” é uma referência em português àquele que os cristãos entendem como o aguardado messias. Se eu falar “Yahu”, ou “Yeshua”, essas não são formas comuns de termos em português. Por isso, “Jeová” e “Jesus”, assim como “Moisés”, “Abraão” e demais nomes são os termos mais apropriados na nossa língua como referência aos nomes pessoais de personagens bíblicos.

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